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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial

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Em 1965, um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança), que saiu em inglês em 1967, cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg, de Munique, e Ernst Benz, de Marburg, porém, em nosso estudo, entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento, que apresentaremos no capítulo seguinte. Porém, ainda que seja possível fazer essa distinção, não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. No ano de 1969, foi publicada a sua segunda obra, Religion, Revolution and the Future (Religião, revolução e o Futuro). Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia, dentro da teologia cristã, além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann.

10.1 – Entendendo a teologia futurista de Moltmann.

A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Neste processo, Deus não é plenamente Deus, porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. No cristianismo tradicional, Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo, no atempo. Na teologia de Moltmann, a eternidade se perde no tempo. Para Moltmann, o futuro é a natureza essencial de Deus. Deus não revela quem ele é, e sim quem ele será no futuro. Desta forma, Deus está presente apenas em suas promessas. Deus está presente na esperança. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus, são produto da esperança. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. Deus não é absoluto; ele está determinado pelo futuro.

domingo, 22 de maio de 2016

Teologia da Morte de Deus


Morte de Deus Teologia

Informações Gerais

Em Assim falou Zaratustra (1883 - 85), Friedrich Nietzsche introduzido em prosa poética eloqüente os conceitos da morte de Deus, o super-homem, ea vontade de poder. Cristianismo e ataca vigorosamente moralidades para a democracia como "fraco manada", ele defendeu a "aristocracia natural" do super-homem, que, impulsionada pela "vontade de poder", celebra a vida na terra, em vez de santificação dele para alguma recompensa celeste. Tais um heróico homem de mérito tem a coragem de "viver perigosamente" e, portanto, ultrapassaremos as massas, desenvolvendo sua capacidade natural para o uso criativo da paixão.



Bibliografia
Vereador HG, Nietzsche's Gift (1977); Allison DB, ed., The New Nietzsche: Estilos de Interpretação Contemporânea (1985); P Bergman, Nietzsche (1987); JA Bernstein, Nietzsche's Moral Filosofia (1987); H Bloom, ed. , Friedrich Nietzsche (1987); FC Copleston Friedrich Nietzsche: Filósofo da Cultura (1975); AC Danto, como O filósofo Nietzsche (1965); Dürr V, et al., Eds., Nietzsche: Literatura e Valores (1988); E Heller , A Importância de Nietzsche (1989); RJ Hollingdale, Nietzsche: O Homem e Seu Filosofia (1973); W Kaufmann, Nietzsche: Filósofo, Psicólogo, Anticristo (1975); B Magnus, Nietzsche's existencial Imperativo (1978); KM maio, Nietzsche eo Espírito da Tragédia (1990); Um Nehemas, Nietzsche: Vida como Literatura (1985); R Salomão, ed., Nietzsche (1973); TB Strong, Friedrich Nietzsche e da Política da Transfiguração (1976); M Warren, Nietzsche e Pensamento Político (1988).


Morte de Deus Teologia

Informações Avançadas

Também conhecidas como radicais teologia, este movimento surgiu em meados dos anos 1960. Como um movimento teológico ela nunca atraiu um grande seguinte, não encontramos uma única expressão, e passou ao largo da cena tão rápida e drasticamente, uma vez que tinham surgido. Há ainda divergências quanto a quem foram os seus principais representantes. Alguns identificam dois, e outros três ou quatro.Embora pequena, o movimento atraiu atenção porque era um sintoma espectacular da falência da teologia moderna e porque era um fenómeno jornalístico. A própria afirmação "Deus está morto" era alfaiate - feitas para exploração jornalística. Os representantes dos movimentos periódicos utilizados efetivamente artigos, livros livros, e os meios de comunicação electrónicos.


História

Esse movimento deu expressão a uma ideia que tinha sido incipiente em teologia e filosofia ocidental durante algum tempo, a sugestão de que a realidade de um Deus transcendente na melhor das hipóteses, não podia ser conhecido e, na pior das hipóteses, não existe em absoluto. Kant filósofo e teólogo Ritschl negou que um possa ter um conhecimento teórico do ser de Deus. Hume e os empiristas para todos os efeitos práticos restrito conhecimento e realidade ao mundo material segundo a percepção dos cinco sentidos. Uma vez que Deus não era empiricamente verificável, a visão do mundo bíblico foi dito ser mitológico e inaceitável para a mente moderna. Tais ateu existencialista filósofos como Nietzche desesperavam mesmo da busca de Deus, e foi ele quem cunhou a frase "Deus está morto", quase um século antes da morte de Deus teólogos.

sábado, 19 de julho de 2014

TEMA: TEOLOGIAS QUE MATAM


MINISTRO: PR. MARCIO GIL DE ALMEIDA


A teologia está presente em todos os setores da igreja e da vida do cristão.
Não tem como viver sem teologia

Não podemos fugir da realidade que todos os pregadores trazem um teologia, não importa se empírica ou tecnizada.

A teologia pode ser benéfica ou maléfica. Isto irá depender do conteúdo e não do seu idealizador.

No decorrer da história várias teologias que surgiram e vamos citar apenas algumas prejudicam, ou seja, matam igrejas.
TEOLOGIA LIBERAL
Rousseau (1712-1778) marcou a transição entre o racionalismo  para o  romantismo. Era iluminista  que valorizou a razão e o sentimento.

Os erros ocorrem pelos  desequilíbrios em relação ao mundo ou para própria igreja.  As teologias são influenciadas pelos seus contextos históricos. Na época dos iluministas, eles procuravam entender e organizar a sociedade pela razão. Teólogos da época formularam teologias baseada no mesmo na mesma ideologia. Eles tiraram o sobrenatural da teologia, e a basearam unicamente na razão. Procuram reduzir a teologia- conteúdo doutrinário da fé cristã.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo


Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos, e nos anos que se seguiram, a revolução se ampliou consideravelmente, se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado “neo-ortodoxia”. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola, depois, é claro, de Barth.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A TEOLOGIA DO SÉCULO XX: Jürgen Moltmann

Introdução

O teólogo alemão Jürgen Moltmann



O teólogo alemão reformado Jürgen Moltmann é, sem dúvida, dos pensadores europeus de maior destaque no século XX, aquele que tem mais contato com o Brasil. Suas duas visitas ao país (em 1977 e em 2008) possibilitaram uma ampla – e por vezes tensa – discussão nos meios eclesiais e acadêmicos acerca de sua obra que tem, desde então, desfrutado de amplo trânsito dentro dos mais diversos segmentos da tradição cristã, do Catolicismo pós Concílio do Vaticano II ao Pentecostalismo. E dizemos tensa, porque apesar de certas críticas rasteiras, não é possível enquadrar plenamente o seu pensamento no âmbito da Teologia da Libertação, nem vincular os elementos inspirativos de sua reflexão ao discurso teológico que se formou na América

A TEOLOGIA DO SÉCULO XX: Paul Tillich

A Primeira Guerra Mundial exerceu uma influência poderosa na teologia de Paul Tillich. (soldados alemães abatidos em Verdun, abril/maio de 1916)
Introdução


Dentre os principais teólogos do século XX, nenhum apresenta uma obra com um trânsito tão fluídico entre a Teologia e a Filosofia como o teuto-alemão Paul Tillich. Na verdade, as fronteiras que ele estabelece do diálogo entre ambas são tão elásticas que em muitos textos se torna quase impossível saber onde está falando o teólogo ou o filósofo, mas isso não chega a ser impedimento para se reconhecer que em sua obra o tema da mensagem cristã é tão premente quanto perene e o que se discute é, fundamentalmente, o sentido dessa mensagem para o mundo moderno e de que modo essa mensagem pode e deve ser recebida. Além disso, fica evidente o fato de que mesmo a sua reflexão filosófica é permeada de interesse pelos assuntos religiosos, fato que já o coloca na esfera de reflexão acerca do Sagrado mesmo que não fosse propriamente um teólogo de formação. Outra vantagem que também pode ser facilmente auferida dessa circunstância: Pelo fato de ter uma formação em Filosofia, Tillich não precisa se amparar em conceitos ou axiomas tomados de empréstimo, a exemplo de Bultmann, para formular o seu pensamento teológico, embora possa ser em Filosofia considerado um existencialista, estando assim também na escola de Karl Jaspers e Martim Heidegger.

sábado, 16 de março de 2013

A Teologia da Libertação Palestina


Christopher J. Katulka
Naim Ateek acredita que não se pode tomar a Bíblia literalmente. Ele tem um problema especial com a Torá (o Pentateuco), que considera um “texto sionista”, e com os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, e 1 e 2 Reis -- os quais confirmam que Deus deu a terra de Israel ao povo judeu. Ele fala de paz e de não-violência, mas não pede desculpas pelo terrorismo palestino.
De fato, muito da sua retórica com relação a Israel é indistinguível daquela de um palestino muçulmano. Mas Naim Ateek não é muçulmano. Na verdade, ele é um cristão palestino altamente respeitado, educado nos EUA, e ordenado sacerdote episcopal. Com a idade de 75 anos, ele é presidente e diretor do Centro Ecumênico de Teologia da Libertação em Jerusalém, também denominado Sabeel Center (em árabe, “o caminho”), o qual ele ajudou a fundar nos anos 1990.
Naim Ateek, líder cristão palestino que defende uma Teologia da Libertação Palestina

sexta-feira, 15 de março de 2013

Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann


Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã, Heilsgeschichte, que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço, perito no Novo Testamento, o Dr. Oscar Cullmann. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove, como J.C.K. von Hofmann e Adolf Schlater, o Dr. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte.
Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional, porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos, cujos pressupostos já foram apresentados, a saber: Barth e Bultmann. De Karl Barth, a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. De Rudolf Bultmann, Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann, é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Teologias que Matam - Pr. Marcio Gil de Almeida

A teologia é inseparável de todos os conceitos e práticas ministeriais e eclesiásticas cristãs. Existem teologias que são instrumentos de mortes e outras de vida. E aqui palestrar um pouca sobre Teologias que matam...



Leia o texto da palestra:

Teologias que Matam


STEL

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Por uma teologia pós-metafísica


– diálogo com um epílogo circunstancial
Osvaldo Luiz Ribeiro[i]
19 e 20/08/2007


Paul TILLICH, La significación de la historia de las religiones para el teólogo sistemático, em Paul TILLICH, El Futuro de las ReligionesCon una introducción de Mircea Eliade. Trad. de Ricardo Marcelo Iauck. Buenos Aires: LaAurora, 1976 (1966, Hannah Tillich), p. 93-118.
 
(publicado em Correlatio, 12)


Resumo: o ensaio serve-se da última conferência pública de Paul Tillich, A Significação da História das Religiões para o Teólogo Sistemático, ainda proferida sob o diapasão epistemológico da metafísica e ontologia cristãs pré-modernas para, criticando seus pressupostos, postular, incipientemente, uma teologia pós-metafísica comprometida e articulada com a plataforma epistemológica peculiar ao jogo das Ciências Humanas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann

Leonardo Gonçalves,
Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a “desmitologização”. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941, tornando-se a partir daí um jargão teológico. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo, e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização, a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God, de 1963.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A teologia dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico

Leonardo Gonçalves,

Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte, passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si.
Em 1919, um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Ele foi, de fato, uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo.
Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos, totalmente revisada e publicada em 1921, que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. Porém, de qualquer forma, 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CAPÌTULO 1: A influência Kantiana

Influencia Kantiana

Leonardo Gonçalves,


A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea, tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. Embora já tenha sido mencionado na introdução, esse filósofo merece, sem nenhuma dúvida, um capítulo à parte. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material, e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. Ao fazer isso, Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove, mas também sobre o século vinte.
2.1– Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea

A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea, tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. Embora já tenha sido mencionado na introdução, esse filósofo merece, sem nenhuma dúvida, um capítulo à parte. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material, e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. Ao fazer isso, Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove, mas também sobre o século vinte.

2.1– Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno.

O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. Na idade média, o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias, reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. De certa forma, a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica, e privava a graça de seu caráter puramente cristão, fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura, ao invés de ser um ato transformador de Deus.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

As idéias que ajudaram a modelar o pensamento teológico do século vinte




Teologia é um vocábulo que encontra sua origem na junção de duas palavras gregas: “Theos”, que significa Deus, e “logos”, que significa discurso ou razão. Logo, a teologia é o estudo de Deus e de sua relação com o universo. Ela é também o estudo das doutrinas religiosas e das questões de divindade. Toda dissertação ou raciocínio sobre Deus, constitui uma teologia.
O estudo de Deus é da máxima importância. Como disse o reformador João Calvino: “Quase toda sabedoria que possuímos, ou seja, a sabedoria verdadeira e sadia, consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos”.
O homem é irremediavelmente um animal religioso. Desde a antiguidade, Deus tem sido a principal preocupação do escrutínio humano. Sócrates, Platão, Aristóteles e todos os pensadores gregos importantes formularam teorias teológicas especulativas sobre Deus. A existência de Deus para esses homens era algo totalmente racional e necessário.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Teologia como ciência especial IV - A Linguagem Teológica


Teologia como ciência especial IV

Em nosso primeiro artigo, a teologia foi vista como uma ciência especial que possui suas peculiaridades como muitas outras ciências. Nos últimos artigos, as “fontes” da teologia foram tratadas como parte destes elementos em relação a Escritura Sagrada. Neste artigo o foco recai sobre o papel da enunciação teológica levantando apontamentos introdutórios sobre este assunto. 
Hans Urs Von Balthasar pondera sobre esta questão indicando que a pergunta não deve ser “Como nós seres humanos podemos traduzir a revelação de Deus nas diversas línguas e formas de pensamento?”, mas, sim, “Como Eu [Deus] faço para que minha Palavra única e completamente determinada adentre na pluralidade das linguagens humanas e formas de pensamento?”1 Balthasar dirige-se para a dificuldade da enunciação de determinado conhecimento acerca de Deus dentro dos limites da linguagem humana. Ele mostra que a linguagem é um fenômeno próprio da humanidade e, por isso, ela limita a tentativa de se realizar uma enunciação que faça justiça a Deus. Entretanto, ele não nega a possibilidade de Deus ser conhecido, pois de fato ele se revelou, mas existe um impasse: O Deus infinito comunica-se com o ser humano finito. Balthasar demonstra que quando Deus expressa sua mensagem única na linguagem humana ele precisa mover toda a rede de formas de pensamentos e modos de fala de todo o mundo. Não que isso seja uma desvantagem. Mas a Palavra que ele profere é muito mais rica do que pode ser perscrutada por toda a linguagem da humanidade e formas de pensamento tomadas juntamente.2   

domingo, 9 de setembro de 2012

Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann → Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann


No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

O método crítico de Bultmann é de fato, importante. Até mesmo os seus críticos, tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias, ao refutar as conclusões de Bultmann, usam uma adaptação do seu método crítico. Aos poucos, Inglaterra e Estados Unidos, bem como outros países com tradição no estudo da teologia, ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann, acolheram vários pressupostos da crítica formal.

5.1- O método investigativo da crítica formal.

O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus, tal como temos nos sinóticos, é em grande parte espúria, tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. Com respeito à confiabilidade da Bíblia, Bultmann vai mais além, e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. Para ele, a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas, e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial

Em 1965, um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança), que saiu em inglês em 1967, cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg, de Munique, e Ernst Benz, de Marburg, porém, em nosso estudo, entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento, que apresentaremos no capítulo seguinte. Porém, ainda que seja possível fazer essa distinção, não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. No ano de 1969, foi publicada a sua segunda obra, Religion, Revolution and the Future (Religião, revolução e o Futuro). Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia, dentro da teologia cristã, além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann.
10.1 – Entendendo a teologia futurista de Moltmann.
A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Neste processo, Deus não é plenamente Deus, porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. No cristianismo tradicional, Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo, no atempo. Na teologia de Moltmann, a eternidade se perde no tempo. Para Moltmann, o futuro é a natureza essencial de Deus. Deus não revela quem ele é, e sim quem ele será no futuro. Desta forma, Deus está presente apenas em suas promessas. Deus está presente na esperança. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus, são produto da esperança. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. Deus não é absoluto; ele está determinado pelo futuro.
Segundo Moltmann, toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. Moltmann interpreta como aberta ao futuro, aberta à liberdade do futuro. Deus entrou no tempo, e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus.
O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. O Cristo ressuscitado é “as primícias” da ressurreição (1Coríntios 15.23; At 4.2). A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura, e por isso, o começo da ressurreição final. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. Porém, para Moltmann, a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém, e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus.
Ainda quanto ao futuro, Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente; ele deve participar ativamente na sociedade. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. É também “pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. O presente em si mesmo não é importante. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente”.
Para que o futuro se realize na sociedade, as categorias do passado devem ser descartadas, pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade.
O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a “reconciliação universal e social”. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado, mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Neste avançar para o futuro, o problema da violência versus não-violência recebe o nome de “problema ilusório”. A questão não é a violência em si, e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança.
Assim como na “Teologia Secular”, aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática.  Porém, qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann, bem como os horrores que traria a sua visão ética.
10.2- Objeções à Teologia da Esperança.

Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos, mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte, mas Moltmann foi ainda mais além, e rejeitou todo o conceito objetivo da história. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé, a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história.
Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos, seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. O primeiro livro de Moltmann, “Teologia da Esperança” nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch, e quando lemos o seu segundo livro, vemos que nesse intercâmbio, Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch.
A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica, no final, seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem, em um homem que observa o futuro e age na sociedade. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo; ela é a edificação da utopia na terra. Para ele, o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Para o apóstolo Paulo, no entanto, o Reino de Deus é, e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28.30-31). Para Moltmann, esse reino é também uma realidade terrenal e tangível; o Reino de Deus, no entanto, é descrito na Bíblia como celestial. Para Moltmann, o Reino de Deus é trazido por meio da revolução; no entanto, segundo a Bíblia, o Reino de Deus traz a paz, e não a guerra (Romanos 14.7).
Quanto ao conceito de Deus, ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. Ao entrar no tempo, segundo ele, Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade; o de Moltmann, porém, só existe no futuro, pois no presente ele sequer é Deus. Como observou certo escritor: “No monte sinai, Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou, mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo.
A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche, com Overback e com Feurbach do que com Paulo, Pedro ou João. Ela é mais marxista que bíblica, e mais filosófica que teológica. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo, Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. Essa teologia do Deus finito e temporal, e que ainda incita a rebeldia e a revolução, não pode ser teologia bíblica. Ela é antes, um tropeço, um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina.

Fonte:http://teologiacontemporanea.wordpress.com/2009/10/07/teologia-da-esperanca-jurgen-moltmann-e-a-analise-escatologica-existencial/

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TEOLOGIA ON LINE


terça-feira, 13 de março de 2012

Do fundamentalismo ao liberalismo sem nunca ter passado pela reforma - ou, para onde caminha a igreja brasileira?


Do fundamentalismo ao liberalismo sem nunca ter passado pela reforma - ou, para onde caminha a igreja brasileira? Espanta-me nos debates teológicos recentes a falta de referência à Escritura. Alguns escritores propõem revisões radicais e na maioria das vezes uma ruptura com a tradição cristã na doutrina de Deus e da salvação sem a menor preocupação em remeter seus leitores (ou, pelo menos, suas tribos ou guetos) para a Escritura – que pelo menos em anos recentes era tomada como a incondicional Palavra de Deus por aqueles que se identificavam como cristãos. Mesmo em debates básicos, como sobre aspectos da ética cristã, são pautados não mais pela Escritura, mas pela mera opinião pessoal ou, no melhor espírito de manada, por seguir cegamente a opinião do líder. Vai-se assumindo que a Escritura pode até ser um livro importante, uma coletânea de bons conselhos, ou mesmo que contenha uma mensagem vagamente piedosa em meio a histórias de guerras, traições e matanças, mas que, finalmente, por meio de nossa razão ou intuição podemos alcançar e descobrir a Deus acima e além da Escritura.